19.8.06

Por entre o pó que voa pela planície

Dois soldados, sentados, conversando
O sol das seis da tarde aquece-os a eles e à conversa
Não há muito que fazer
Até que subitamente desaparecem da face da Terra

E, subitamente, nações encontram nações
E, subitamente, o Mediterrâneo irrompe em chamas
E, subitamente, o mundo enlouquece
Mais um pouco...

Por entre o pó que voa pela planície, há uma criança que chora
Por entre o pó que voa pela planície, há destroços e há acusações
E as palavras são disparadas como os tiros e as bombas
E tudo morre como há vinte anos o tinham feito

A culpa é apenas vossa
A culpa é exclusivamente vossa
Por não serem como eu quero que sejam
A culpa é apenas vossa se morrerem

E há uma rapariga, a muitos milhares de quilómetros
Uma rapariga de face brilhante e olhos de amêndoa
Que se limita a chorar
Porque sabe que, fosse o que fosse que lá houvesse
É algo a que nunca mais poderá voltar