Descobrimos, ó má sorte, a sabedoria
Tivemos o sonho da caverna ideal
Contámos histórias de sangue e de sal
Abraçámos a noite e fugimos ao dia
E, ao longo dos anos desta eternidade fria
Tornámo-nos seres de pedra e de cal
Planaltos fechados, sem monte nem vale
E lavámos do corpo a melancolia
Mas na fatia de mundo por mim achada
Canteiro calmo à beira da estrada
Há gente, vida, o que faltava, a peça
O ponteiro avança, falamos de nada
Cantamos e rimos até de madrugada
Que importa a Terra e a sua liça perversa?

1 Comments:
Passei para te visitar e reparei na data do teu último poema e o hiato em relação aos anteriores. Estás de volta?! Gosto deste soneto, sempre escreveste muito bem, mas entretanto, amadureceste... ah, e escreves num estilo bastante diferente (mais difícil, creio...)
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