23.6.05

Fragmentos de pensamentos retirados do presente

Fala-me por símbolos
Diz-me o que quiseres
Amanhã temos a noite e depois temos o dia
E temos, depois, talvez, todos os dias das nossas vidas
Ou talvez não
Que importa a direcção em que o rio corre, Lídia?
Que importa a estranheza das palavras?
Se há qualquer coisa que não consegues dizer
Deixa-a haver
Não é por isso que os continentes vão derivar mais

Consigo ver um areal
E uma longa fila de carros que espera pela meia noite
E consigo ver histórias
Como uma que é conhecida
Nunca digam que sou pobre
Que, se há alguma coisa que é minha nesta vida
É o poder de modelar mundos
À minha vontade e a meu bel-prazer
E é o poder de disparar partículas químicas
Com tinta e imaginação e sonhos

O vento despenteia-me os cabelos
E um sorriso desperta-me devagar
Entre as pessoas apressadas na ânsia de sobreviverem
Eu e tu rimo-nos e trocámos olhares
Eu e tu fomos eu e tu
E não havia mais nada no mundo
E não precisava de haver mais nada
Que importa que ruas, que caminhos tomamos?
Há um pedaço de vida em nós
Há um segredo que poucos conhecem
Mas que foi nosso por breves momentos
E isso, mais que qualquer sangue e qualquer carne
Sobreviverá pelos séculos adentro