30.1.06

Vi o Elvis no centro comercial

Naquelas noites em que chove e não há lua
Fá-la tua
Todas as hipóteses nesta terra são feitas de barro
"Vai um cigarro?"
Aqui está o objectivo de subir as escadas
As propostas negadas
Sempre subindo, sempre em frente
E aqui está mais uma mente demente
Ela tem verdadeiramente um rabo bestial
E a cara dela é tal e qual
A que imaginámos para aquela figura angelical
Não há madrugada e não há limites
Não há caras tristes mas há convites
Ali passa mais uma e sim, é verdade, é bela
Diz o meu amigo que não se importava de se meter nela
E eu concordo, aceno a cabeça
E mentalmente espero que ela o peça
E emborco mais um, esperar para quê?
É alucinante a velocidade a que se vê
O desfile de braços, acenando como quem lê
A verdade escondida atrás dos nossos olhos
Como vemos roupas, sapatos e folhos
E como nos esquecemos do amanhã
Disfarçados por uma expressão vã
Ao fim da rua, há cacos e gritos
De fantasmas bêbados e aflitos
Mas aqui apenas uma marcha mental
E a admiração daquele rabo bestial