Mais qualquer coisa
Ter-te só mais uma vez
Ter-te como antes dos cortes e da porcaria nas paredes ensaguentadas
Ter-te como antes, seres a personificação de tudo o que eu não sei se quero ser
E dos dias completamente desprovidos de significado
Lembro-te
Um cigarro nos lábios
Os teus olhos encharcados em Prozac fitando-me ternamente
Lembro-te e lembro
As nossas tardes cheias de fazer coisa nenhuma
As nossas noites de gargantas degoladas e estrelas apagadas
E as nossas lengalengas já decoradas e esbatidas pelo tempo?
E quando os sonhos se evaporam e nos tornamos humanos?
E quando vêm os sentimentos e os revólveres perdidos?
O que resta de nós na espuma dos dias?
O que vais fazer de ti, agora que te entregaste a ti mesma?
O que vais fazer de mim, que continuo a viver preso pelos teus cabelos?
O que vamos fazer nós
Agora que batemos com toda a força contra o chão
E cuspimos dentes, raivosamente erguendo o braço ao céu?
Neste peito, apenas a claustrofobia
E o vago desconforto do álcool
Noutro qualquer, um pesadelo de mentes rasgadas e orgulho fingido
E, em tudo, a mesma indiferença branca
