1.10.10

Descobrimos, ó má sorte, a sabedoria
Tivemos o sonho da caverna ideal
Contámos histórias de sangue e de sal
Abraçámos a noite e fugimos ao dia

E, ao longo dos anos desta eternidade fria
Tornámo-nos seres de pedra e de cal
Planaltos fechados, sem monte nem vale
E lavámos do corpo a melancolia

Mas na fatia de mundo por mim achada
Canteiro calmo à beira da estrada
Há gente, vida, o que faltava, a peça

O ponteiro avança, falamos de nada
Cantamos e rimos até de madrugada
Que importa a Terra e a sua liça perversa?